Mídia e mais

um blog da jornalista Sabine Righetti

Posts de Fevereiro, 2009

Carnaval, Oscar e Nelson Rubens.

Publicado por sabine righetti em 25/02/2009

Como ainda estou me recuperando de uma cirurgia feita há mais de 45 dias, fiquei em casa neste feriado de Carnaval, alternando entre assistir filmes concorrentes ao Oscar (e o próprio Oscar) e os desfiles das minhas escolas preferidas.

Os filmes eu comentarei em futuros posts individuais. Mas em relação ao Oscar, o que mais me impressionou foi o quanto a premiação foi ignorada. Pela primeira vez desde que me conheço por gente (como diriam meus parentes italianos), a Rede Globo não transmitiu o evento para dar lugar às escolas de samba. Aliás, não teve nem Jornal Nacional na segunda-feira. Nada acontece no país do Carnaval na segunda-feira de Carnaval – a não ser o próprio Carnaval!

Bom, mas Jornal Nacional à parte, a não-transmissão do Oscar incluiu também a não divulgação do evento e nem dos premiados. Tenho amigos que nem sabiam que o Oscar seria no domingo, 22, pois estavam acostumados com as chamadas da Globo que, desta vez, não aconteceram. Bom, mas concordo com as premiações feitas pelo Oscar, das quais acertei quase todas as minhas apostas feitas num post anterior ao evento – só errei melhor ator (ok, o Sean Penn teve um excelente intepretação em Milk e a academia estava magoada com o sumiço de Mickey Rourke, em quem apostei) e melhor roteiro (novamente tinha apostado em Milk, mas ficou com Quem quer ser um Milionário). Até aí, tudo normal.

Já o desfile das minhas escolas preferidas, meu segundo passatempo neste feriado, prefiro não comentar (a X-9 ficou sem sexto lugar!) E já sei que a Grande Rio também não vai liderar, pois a preferida dos cariocas é a Beija-flor. Tudo bem que não tenho critérios muito válidos para avaliar as escolas, mas é como time de futebol: o meu sempre está certo e deve ganhar uai! (por falar em critérios, tenho uma conhecida que faz curso para jurada de escola de samba. Acredite se quiser!)

Mas o que quero comentar é a cobertura dos desfiles!

Assistindo aos desfiles, acabei caindo na Rede TV, em que o Nelson Rubens comandava ao vivo uma cobertura dos bastidores dos desfiles. O que eu vi foi um show de horror: repórteres totalmente despreparados tanto para fazer entrevistas, quanto para entrar ao vivo na TV. Alguns exemplos:

- Certa hora, um repórter encontra a Beth Carvalho, que é mangueirense mas neste ano foi homenageada pela Imperatriz Leopoldinense. Então, pergunta: “Nesse ano você não vai puxar o samba da Mangueira?”. Ela, nitidamente irritada, responde: “Eu nunca puxei o samba da Mangueira. Quem puxa samba são os puxadores de samba e eu sou cantora”. Para completar, os créditos da entrevista traziam uma frase que a própria Beth negou: “Beth Carvalho troca Mangueira pela Imperatriz”. Sob esses créditos, Beth Carvalho dizia que não estava trocando de escola e que continuava sendo mangueirense. Enfim, uma bagunça!

- Monique Evans estava dando uma de repórter e só deu bola fora, como era de se esperar. Ao encontrar a Dira Pais, começou a entrevistá-la e olhava ao redor, sem prestar a mínima no que a atriz dizia. Até que Dira perguntou, muito sabiamente: “Você está procurando alguém?” Afe! Não satisfeita, Monique encontrou outra atriz, que não lembro o nome, puxou-a para uma entrevista e começou a falar de si própria. A atriz ficou com uma cara de tacho, olhou para a câmera, mandou um beijo e saiu fora. Claro.

- Iris Stefanelli, ex-BBB 8, comanda o programa com Nelson Rubens e também estava ao vivo na cobertura. Quando ela encontrou dois igualmente ex-BBBs, ela fez algumas perguntas para um deles, que respondeu a todas. Depois, ela virou para o outro e disse: “E aí?” Peraí: “E aí” é pergunta que se faça ao vivo? É claro que ele não respondeu nada e, sem saber o que fazer, ela começou a dançar (!!!)

- Para terminar: um dos repórteres era Léo Aquilla, uma Drag Queen. Ao entrevistar um famoso, que não sei quem é, a Drag olhou para a namorada dele e, ao vivo, disse: “Nossa, como você é despeitada”. E virou-se para o rapaz: “Você precisa pagar um silicone para ela”. Isso nada mais é do que a mera reprodução da ideia de que toda mulher deve ter peito artificial r deve ser um objeto ao homem. Indo além, por que ela não disse para a própria mulher pagar a cirurgia para ela mesma?!

É gente, isso que dá ter um programa de entrevistas em que os repórteres são tudo, menos jornalistas. Como diria o próprio Nelson Rubens: eu aumento, mas não invento!

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É um pássaro? É um avião? Não, é o G1.

Publicado por sabine righetti em 22/02/2009

O G1 – portal Globo de notícias - chegou mesmo para desbancar os portais quadradinhos que tínhamos na internet até então e para aproveitar de todas as maneiras todo o potencial da multimídia. Lançado no final de 2006, o G1 está comemorando, agora, sua segunda cobertura do Carnaval brasileiro. E, desta vez, está um verdadeiro desbunde (com perdão do trocadilho mal apropriado para um post sobre o Carnaval!) Veja aqui.

O portal traz uma cobertura em tempo real (quase real) do Carnaval no Nordeste e no eixo Rio-SP com fotos e textos. Traz uma plataforma preparada com bastante cuidado com o samba-enredo de todas as escolas do eixo, separadas por uma seção de São Paulo e outra do Rio de Janeiro. Além da letra, o internauta confere um videozinho com um trecho da escola (aquele que passa nos intervalos, no Globeleza).

Tem ainda a interatividade: o internauta pode enviar perguntas aos comentaristas, que estão ao vivo na cobertura da Globo, além de enviar fotos do desfile (se estiverem acompanhando ou desfilando). E mais: há um material informativo, de Carlinho de Jesus, que explica como é feita a apuração da escolas de samba pelos cinco questitos de julgamento (bateria, harmonia, enredo, evolução e mestre-sala e porta-bandeira). Você pode até imprimir uma tabela como a oficial e brincar de dar suas notas! (Dê dez para a X-9, ham!)

Não sou de “pagar pau” para a Globo, mas com notícias em “tempo real”, interatividade com o internauta e exploração de todos os recursos da multimídia – texto, imagens, vídeo e sons – o G1 vale a pena ser destacado.

E bom caranaval!

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No bloco do Oscar de Carnaval!

Publicado por sabine righetti em 21/02/2009

Há dez anos, minha turma de jornalistas costuma fazer um “bolão de Oscar” com apostas sobre os possíveis vencedores e quem acertar mais, leva o montante. Eu nunca ganhei, mas sempre cheguei perto (aliás, como no bingo. Não que eu jogue bingo, mas na única vez que joguei eu cheguei perto).

Nesse ano, porém, parece que cada um da turma está mais preocupado com seu quadrado e o bolão não rolou… Por isso, como o Oscar está chegando (será no domingo de Carnaval!), eu faço as minhas apostas aqui no blog mesmo. Vamos ver se eu vou ganhar o meu próprio bolão (em que até agora sou a única jogadora!)

Melhor filme: Quem Quer Ser Um Milionário, de Danny Boyle. Muita gente tem apostado em Milk, de Gus Van Sant, e em O curioso Caso de Benjamin Button, de David Fincher, mas eu aposto no filme britânico de Boyle. Milk até merece, principalmente por causa da atuação tão falada de Sean Penn, mas deve ficar com roteiro original - normalmente, Melhor filme e Melhor diretor costumam ir para a mesma produção. A exceção foi em 2006, quando premiaram Crash como melhor filme e Brokeback Mountain como melhor direção. Mas essa foi uma solução estranha da academia… Os demais concorrentes da vez, Frost/Nixon e O Leitor, não devem passar nem perto da estatueta dourada.

Melhor Direção: Danny Boyle (Quem Quer Ser um Milionário). O vencedor, como de praxe, deve ser o mesmo de Melhor Filme – os cinco indicados são os mesmos nas duas. Vale destacar que Sam Mendes, de Foi Apenas Um Sonho, ficou de fora da lista e merecia o prêmio (ou merecia pelo menos ser indicado, poxa!). Já escrevi sobre o filme – leia

Melhor Ator: a briga entre Sean Penn (Milk) e Mickey Rourke (O Lutador) é feia – e olha que brigar com Mickey Rourke, depois desse filme, não deve ser uma boa. Eu aposto em Mickey, que retornou aos telões depois de anos afastado e já ganhou BAFTA e Globo de Ouro pela sua atuação em O lutador (que aliás, só vale a pena por causa dele!). Pessoalmente, prefiro que ele ganhe do que Sean Penn… na década de 80, o Sean Peen batia na Madonna quando eram casados! Além disso, ele já levou a estatueta há quatro anos (com Sobre Meninos e Lobos).  

Melhor Atriz: Kate Winslet (O Leitor). A disputa é entre ela e Meryl Streep, que já foi indicada ao Oscar 14 vezes e ganhou duas, e Anne Hathaway, que virou a princesinha da vez. Mas parece que agora a academia está com peninha de Winslet, que tem seis indicações e nunca ganhou. Ô dó! Ela merece! Está super amadurecida, inclusive em Foi apenas um sonho, dirigido por seu marido Sam Mendes – filme bom que foi esquecido pela academia!

Melhor Ator Coadjuvante: Heath Ledger (BatmanO Cavaleiro das Trevas). Sem dúvidas. A atuação dele é brilhante e imagino que farão alguma homenagem póstuma. No ano passado, o Oscar foi logo após a morte de Ledger… Durante o evento, projetaram uma imagem de Ledger que ficou uns segundos parada (e foi bem triste!) Sou fã dele desde Dez coisas que eu odeio em você (1999), que marcou, diríamos, o final da minha adolescência. Ledger merece todos os prêmios do mundo!    

Melhor Atriz Coadjuvante: Penélope Cruz (Vicky Cristina Barcelona). Se ganhar será merecidíssimo, principalmente por causa das cenas incríveis da personagem de Penélope travando logas discussões em espanhol com Javier Bardem, cujos textos foram criados pelos próprios autores, sob a sábia autorização do diretor Woody Allen. Mas parece que Amy Adams (Dúvida) também está no páreo (e vence de acordo com a suposta lista de ganhadores que teria vazado e foi divulgada hoje pelo Estadão).

Melhor Roteiro Original: Milk. Acredito que será uma espécie de “prêmio de consolação”, já que melhor filme e melhor diretor devem ficar com Quem quer ser um Milionário. Além disso, ele é o único filme dos indicados ao prêmio principal que concorre nesta categoria.

Melhor Roteiro Adaptado: Eric Roth e Robin Swicord (O Curioso Caso de Benjamin Button). Isso para não dar todos os prêmios importantes para o favorito Quem Quer Ser um Milionário. Mas Benjamin Button, adaptado de um conto de Scott Fitzgerald do início do século (do livro Tales of the Jazz Age) tem, de fato, um ótimo roteiro.

Melhor Animação: Wall-E. Não tive a chance de assistir, mas li críticas falando tão bem ao ponto de lastimar que ele não tenha sido indicado para Melhor filme.

Prefiro parar por aqui porque das outras áreas eu não entendo muito. Ou não tive acesso – os curta-metragens e documentários nunca chegam ao Brasil antes do Oscar! Mas para finalizar, vale destacar que escrevi o meu bolão antes de ver a suposta lista de vencedores do Oscar. Mas as duas estão bem parecidas… Será que ganharei meu bolão desta vez?

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Diga-me quantos anos tens e direi-te que papel farás.

Publicado por sabine righetti em 20/02/2009

Parece que a idade dos atores já não é mais um fator essencial para se determinar que papel ele irá fazer. Tudo bem que as novas tecnologias da beleza dificultam qualquer expert de acertar a idade de uma pessoa, mas existem certos limites – que a nova novela de Glória Peres, O Clono do Clone, digo, Caminho das Índicas, parece não conhecer. Repare:

* Íris Valverde, que tem 21 anos, interpreta uma adolescente de 17 que namora quem? Victor Fasano que, na vida real, tem 50 anos, mas intepreta, na novela, um empresário de uns… 35.

* Duda Nagle, que tem 26 anos na vida real, interpreta nada mais nada menos do que… um estudante do ensino médio (do mal, aliás). Ele está na mesma sala do ator André Arteche, que é um pouquinho mais novo: tem 24 anos (e interpreta um estudante do bem)! Poxa, não poderiam ter convocado uns atores mais novos? Ou então poderiam fazer a escola numa versão faculdade, aproveitando Duda e André.

E quando fiz 25 anos, armei um bolão entre pessoas que trabalhavam comigo num projeto temporário  e que mal me conheciam. Deram-me de 22 a 32 anos. Nesse caso, ainda hoje eu caberia tanto no núcleo da escola de ensino médio, quanto no núcleo das namoradas do Fasano. Pelo menos pelos moldes da Glória Peres.

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Trote de calouros mundialmente contextualizado.

Publicado por sabine righetti em 19/02/2009

Muito bom o texto de hoje de Contardo Calligardis, da Folha de S.Paulo: Trotes de calouros (disponível apenas para assinantes, sinto muito!) Contardo faz algo que nenhuma outra matéria fez durante a cobertura dos trotes violentos (não que eu tenha visto): contextualiza o trote na Europa – abolido para lá dos anos 60 – e, assim, mostra o quanto estamos atrasados ao promover tal prática.

Faltou dizer, num outro exercício, se o trote violento permanece em outros países de América Latina além do Brasil (eu imagino que sim, pois os países da AL caminham juntos). Olha só, isso daria uma boa pauta, ham! O trote violento também deve permanecer na África tribal, em rituais semelhantes ao ingresso na universidade. Talvez lá, nas tribos sem contato nenhum com as demais culturas, exista alguma prática de iniciação que obrigue as pessoas a rolar na lama, beber o que não quer, sentar em formigueiro ou algo parecido…

Enfim, como dizia o outro, o Brasil está uns 20 anos atrasado em relação a Europa em muitos setores. No caso do trote violento e da sua abolição, estamos 40 anos atrasados.

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