Como ainda estou me recuperando de uma cirurgia feita há mais de 45 dias, fiquei em casa neste feriado de Carnaval, alternando entre assistir filmes concorrentes ao Oscar (e o próprio Oscar) e os desfiles das minhas escolas preferidas.
Os filmes eu comentarei em futuros posts individuais. Mas em relação ao Oscar, o que mais me impressionou foi o quanto a premiação foi ignorada. Pela primeira vez desde que me conheço por gente (como diriam meus parentes italianos), a Rede Globo não transmitiu o evento para dar lugar às escolas de samba. Aliás, não teve nem Jornal Nacional na segunda-feira. Nada acontece no país do Carnaval na segunda-feira de Carnaval – a não ser o próprio Carnaval!
Bom, mas Jornal Nacional à parte, a não-transmissão do Oscar incluiu também a não divulgação do evento e nem dos premiados. Tenho amigos que nem sabiam que o Oscar seria no domingo, 22, pois estavam acostumados com as chamadas da Globo que, desta vez, não aconteceram. Bom, mas concordo com as premiações feitas pelo Oscar, das quais acertei quase todas as minhas apostas feitas num post anterior ao evento – só errei melhor ator (ok, o Sean Penn teve um excelente intepretação em Milk e a academia estava magoada com o sumiço de Mickey Rourke, em quem apostei) e melhor roteiro (novamente tinha apostado em Milk, mas ficou com Quem quer ser um Milionário). Até aí, tudo normal.
Já o desfile das minhas escolas preferidas, meu segundo passatempo neste feriado, prefiro não comentar (a X-9 ficou sem sexto lugar!) E já sei que a Grande Rio também não vai liderar, pois a preferida dos cariocas é a Beija-flor. Tudo bem que não tenho critérios muito válidos para avaliar as escolas, mas é como time de futebol: o meu sempre está certo e deve ganhar uai! (por falar em critérios, tenho uma conhecida que faz curso para jurada de escola de samba. Acredite se quiser!)
Mas o que quero comentar é a cobertura dos desfiles!
Assistindo aos desfiles, acabei caindo na Rede TV, em que o Nelson Rubens comandava ao vivo uma cobertura dos bastidores dos desfiles. O que eu vi foi um show de horror: repórteres totalmente despreparados tanto para fazer entrevistas, quanto para entrar ao vivo na TV. Alguns exemplos:
- Certa hora, um repórter encontra a Beth Carvalho, que é mangueirense mas neste ano foi homenageada pela Imperatriz Leopoldinense. Então, pergunta: “Nesse ano você não vai puxar o samba da Mangueira?”. Ela, nitidamente irritada, responde: “Eu nunca puxei o samba da Mangueira. Quem puxa samba são os puxadores de samba e eu sou cantora”. Para completar, os créditos da entrevista traziam uma frase que a própria Beth negou: “Beth Carvalho troca Mangueira pela Imperatriz”. Sob esses créditos, Beth Carvalho dizia que não estava trocando de escola e que continuava sendo mangueirense. Enfim, uma bagunça!
- Monique Evans estava dando uma de repórter e só deu bola fora, como era de se esperar. Ao encontrar a Dira Pais, começou a entrevistá-la e olhava ao redor, sem prestar a mínima no que a atriz dizia. Até que Dira perguntou, muito sabiamente: “Você está procurando alguém?” Afe! Não satisfeita, Monique encontrou outra atriz, que não lembro o nome, puxou-a para uma entrevista e começou a falar de si própria. A atriz ficou com uma cara de tacho, olhou para a câmera, mandou um beijo e saiu fora. Claro.
- Iris Stefanelli, ex-BBB 8, comanda o programa com Nelson Rubens e também estava ao vivo na cobertura. Quando ela encontrou dois igualmente ex-BBBs, ela fez algumas perguntas para um deles, que respondeu a todas. Depois, ela virou para o outro e disse: “E aí?” Peraí: “E aí” é pergunta que se faça ao vivo? É claro que ele não respondeu nada e, sem saber o que fazer, ela começou a dançar (!!!)
- Para terminar: um dos repórteres era Léo Aquilla, uma Drag Queen. Ao entrevistar um famoso, que não sei quem é, a Drag olhou para a namorada dele e, ao vivo, disse: “Nossa, como você é despeitada”. E virou-se para o rapaz: “Você precisa pagar um silicone para ela”. Isso nada mais é do que a mera reprodução da ideia de que toda mulher deve ter peito artificial r deve ser um objeto ao homem. Indo além, por que ela não disse para a própria mulher pagar a cirurgia para ela mesma?!
É gente, isso que dá ter um programa de entrevistas em que os repórteres são tudo, menos jornalistas. Como diria o próprio Nelson Rubens: eu aumento, mas não invento!