A matéria de capa da Veja desta semana, sobre o mal estar do presente Lula há alguns dias, poderia ter dado certo se não fosse a linha fina – aquela que fica logo abaixo do título – que acabou conduzindo o tom do texto. A ideia da matéria foi bacana: a reportagem usou a hipertensão do presidente para falar sobre stress no dia a dia e hábitos errados (de todos os brasileiros) que levam a doenças evitáveis. Até aí, ok. Mas a linha fina foi péssima e induz a uma interpretação equivocada da sequência dos fatos. Reproduzo abaixo:
“Ao tentar conciliar a agenda presidencial com a pré-campanha de Dilma Russeff, Lula sucumbe ao stress e é internado às pressas com uma crise de hipertensão”.
A pergunta que fica é: quem foi que disse que Lula passou mal porque “tentou conciliar” a presidência com a campanha e, com isso, se estressou demais? Será que os quase oito anos de presidência não são motivo para stress acumulado para qualquer presidente? A própria Veja traz uma cronologia de presidentes que tiveram doenças durante seus respectivos mandatos – de Figueiredo a Ronald Reagan.
Dizer que Lula passou mal por stress eu concordo, mas afirmar que o stress foi causado pela campanha eleitoral de Dilma é suposição. E como diria Yoani Sanchez: não tenho partido, nem candidato, nem estou defendendo ninguém. Minha preocupação é com a construção do texto jornalístico e com a indução a uma interpretação equivocada sobre os fatos que um texto mal construído (talvez intencionalmente) pode levar.






