sabine righetti

Blog de uma jornalista que não se cansa de escrever.

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O sufoco de Lula e a suposição de Veja

Publicado por sabine righetti em 31/01/2010

A matéria de capa da Veja desta semana, sobre o mal estar do presente Lula há alguns dias, poderia ter dado certo se não fosse a linha fina – aquela que fica logo abaixo do título – que acabou conduzindo o tom do texto. A ideia da matéria foi bacana: a reportagem usou a hipertensão do presidente para falar sobre stress no dia a dia e hábitos errados (de todos os brasileiros) que levam a doenças evitáveis. Até aí, ok. Mas a linha fina foi péssima e induz a uma interpretação equivocada da sequência dos fatos. Reproduzo abaixo:

Ao tentar conciliar a agenda presidencial com a pré-campanha de Dilma Russeff, Lula sucumbe ao stress e é internado às pressas com uma crise de hipertensão”.

A pergunta que fica é: quem foi que disse que Lula passou mal porque “tentou conciliar” a presidência com a campanha e, com isso, se estressou demais? Será que os quase oito anos de presidência não são motivo para stress acumulado para qualquer presidente? A própria Veja traz uma cronologia de presidentes que tiveram doenças durante seus respectivos mandatos – de Figueiredo a Ronald Reagan.

Dizer que Lula passou mal por stress eu concordo, mas afirmar que o stress foi causado pela campanha eleitoral de Dilma é suposição. E como diria Yoani Sanchez: não tenho partido, nem candidato, nem estou defendendo ninguém. Minha preocupação é com a construção do texto jornalístico e com a indução a uma interpretação equivocada sobre os fatos que um texto mal construído (talvez intencionalmente) pode levar.

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Jornal Mais: mais erros de português.

Publicado por sabine righetti em 20/01/2010

Estava na expectativa de dar uma olhada no novo jornal Mais, o popular do grupo Lance que passou a circular hoje por 50 centavos. São 24 páginas em formato tablóide e páginas coloridas, com objetivo de ter metade do seu conteúdo sobre esporte e a outra parte com notícias e prestação de serviços.

E foi exatamente isso que encontrei. Já na capa, o óbvio: futebol (destaque para o Corinthians) e uma artista (Iris Stefanelli) de biquini. Além da capa, são 9 páginas de notícias locais em tom sensacionalista (teve até Suzane Richthofen no meio!), 12 páginas de esportes e 2 páginas de celebridades + entretenimento. No meio das páginas de notícias, uma graaaaande chamada para o futuro colunista do jornal: nada Mais (*risos*), nada menos que o Datena!…

Até aí, tudo bem.

Não tenho nada contra o Datena ser colunista (apesar de, claro, detestar a figura), nem contra o uso abusivo de cores, textos simples e enfoque nas celebridades e no sensacionalismo. Mas o que eu não admito, seja num jornal popular ou numa revista elitista sobre música clássica, são os textos mal escritos e com erros de português.

Posso citar dois no jornal de hoje, depois de uma leitura bem diagonal: na página 6, uma nota sobre um soldado que levou três tiros divide o sujeito do predicado por vírgula: “Bessa, foi encaminhado ao Hospital Padre Bentos” (SIC). Ugh! E na página 22, o texto sobre a ex BBB Iris Stefanelli está tão confuso que tive que relê-lo para entendê-lo.

Erros de português não são exclusividade dos jornais. A mídia, de modo geral, está cheia deles, principalmente nas áreas de entretenimento. Sabe aquela novela em horário nobre da Globo, que atinge em média 40 milhões de pessoas todos os dias? Então, os diálogos entre personagens têm erros atrás de erros. E nada justifica-se pelo uso informal da linguagem. Custa falar “Não se preocupE” (certo) no lugar de “Não se preocupA” (errado)? Parece que para Manoel Carlos, sim, custa.

Vamos seguir acompanhando o jornal Mais e mais (*risos*) outros que surgirem. Enquanto houver erros de português, haverá críticas.

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Feliz 2010 na África do Sul!

Publicado por sabine righetti em 19/01/2010

Os leitores do meu blog – poucos, porém queridíssimos, – devem ter estranhado meu sumiço no final do ano passado. Isso foi resultado de muito trabalho e de uma viagem para a Africa do Sul com o objetivo de fazer algumas imersões: pela história recente daquele país, pela cultura islâmica (alvo dos meus estudos na área de direitos humanos) e, também, pela língua inglesa (viajar é sempre o melhor jeito de treinar um idioma).

A viagem foi incrível e rendeu muitas histórias, vídeos e fotos. Algumas posto aqui. Vale destacar que não foi uma viagem típica de turismo, não fiquei em hoteis e nem fiz safáris caros. Quis, apenas, mergulhar profundamente na África do Sul e, inclusive, fiquei hospedada na casa de africanos.

Bom, apesar deste blog ser sobre mídia, reproduzo aqui cinco textos que escrevi para o blog de viagens – SPOTRAVEL – de um amigo jornalista. Espero que gostem. E, em 2010, continuaremos juntos analisando a mídia! Até mais!

Entenda o Apartheid em 3 cidades da Africa do Sul

Cidade do Cabo: vale uma viagem inteira

Comida africana: o desafio

Durban, a Índia africana

Johanesburgo ou Pretória?

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Quando a primeira página faz a diferença.

Publicado por sabine righetti em 04/11/2009

Nos grandes jornais diários, o percentual de receita em vendas de exemplares corresponde, em média, a 85% de assinaturas e 15% de vendas em banca. Apesar de representar a minoria, os jornais vivem criando estratégias (bem repetitivas) para aumentar a venda isolada em banca – como os “anabolizantes”, fascículos que acompanham os jornais e que trazem um aumento bem pontual nas vendas. Mas o fato é que a primeira página de um jornal (ou capa) é decisiva para que o leitor escolha um ou outro veículo. Disso todo editor sabe. 

Estou dizendo tudo isso porque hoje, numa comparação, eu compraria o Estadão no lugar da Folha.

De um lado, o Estadão trouxe uma manchete de uma matéria rica e inusitada sobre prostituição infantil na rodovia Dutra – assunto comum e pouquíssimo explorado (menos ainda num destaque de primeira página, que só costuma trazer o factual).

De outro lado, a Folha manchetou um grandessíssimo deslize. Dizia: “Após queda, passagem de avião vai aumentar”. Fiz um teste e perguntei para várias pessoas, de várias áreas, o que se entendia pela palavra “queda” da manchete. “Queda do avião, claro. Não é isso?”, responderam-me. O trocadilho, nitidamente sem querer, foi infame e conduziu o leitor desavisado a remeter à queda do avião da FAB, que aconteceu há apenas alguns dias. Mas a queda era de preços.

O lado bom dessa história foi a diversidade encontrada hoje nas primeiras páginas. Quase todos os dias, deparo-me com capas tão iguais que quase não se distingue qual é um jornal e qual é o outro. Hoje, o Estadão fez claramente uma experimentação de uma grande reportagem sobre um assunto cotidiano, não factual e extremamente pertinente. Que continue assim.

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A notícia do jornal online não é mais notícia no jornal impresso.

Publicado por sabine righetti em 26/10/2009

Aplausos para o pessoal do caderno Link do Estadão (que, aliás, completa 5 anos!) Hoje eu peguei o jornal na minha garagem certa de que o caderno traria alguma matéria com uma manchete do tipo: “Biz Stone visita o Brasil e fala sobre o Twitter”. Mas eu me enganei, para a minha sorte e para a sorte dos demais leitores. O Link trouxe uma espécie de perfil do criador do Twitter, abordando sua passagem pelo Brasil, mas com foco na sua personalidade. Genial. Veja a matéria aqui.

Digo isso porque o jornal impresso – ainda mais um caderno semanal de um jornal impresso, como o Link, – não pode mais se ater à veiculação de notícias factuais. Quando os jornais em papel chegam às mãos do leitor, a notícia não é mais notícia. Eu já sabia que Biz Stone passou pelo Brasil. Vi isso na TV, na internet – no próprio Twitter! Assim como eu já sabia que Michael Jackson havia morrido na tarde do dia 25 de junho, cuja notícia foi veiculada praticamente em tempo real, quando recebi o jornal impresso do dia seguinte com a manchete estampada: “Morre Michael Jackson”. Poxa, gente! Isso já não era mais a notícia. É preciso pensar em algo diferente do factual.

A matéria do caderno Link de hoje, na contramão do exemplo da cobertura da morte do Michael Jackson, mostra que jornais online e impressos devem trabalhar juntos: o primeiro com o factual e o segundo com um texto mais profundo e caprichado. Esse é o único jeito do jornal em papel sobreviver antes que os leitores desistam dele.

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