sabine righetti

Blog de uma jornalista que não se cansa de escrever.

Arquivo da categoria ‘Mídia online’

Feliz 2010 na África do Sul!

Publicado por sabine righetti em 19/01/2010

Os leitores do meu blog – poucos, porém queridíssimos, – devem ter estranhado meu sumiço no final do ano passado. Isso foi resultado de muito trabalho e de uma viagem para a Africa do Sul com o objetivo de fazer algumas imersões: pela história recente daquele país, pela cultura islâmica (alvo dos meus estudos na área de direitos humanos) e, também, pela língua inglesa (viajar é sempre o melhor jeito de treinar um idioma).

A viagem foi incrível e rendeu muitas histórias, vídeos e fotos. Algumas posto aqui. Vale destacar que não foi uma viagem típica de turismo, não fiquei em hoteis e nem fiz safáris caros. Quis, apenas, mergulhar profundamente na África do Sul e, inclusive, fiquei hospedada na casa de africanos.

Bom, apesar deste blog ser sobre mídia, reproduzo aqui cinco textos que escrevi para o blog de viagens – SPOTRAVEL – de um amigo jornalista. Espero que gostem. E, em 2010, continuaremos juntos analisando a mídia! Até mais!

Entenda o Apartheid em 3 cidades da Africa do Sul

Cidade do Cabo: vale uma viagem inteira

Comida africana: o desafio

Durban, a Índia africana

Johanesburgo ou Pretória?

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A notícia do jornal online não é mais notícia no jornal impresso.

Publicado por sabine righetti em 26/10/2009

Aplausos para o pessoal do caderno Link do Estadão (que, aliás, completa 5 anos!) Hoje eu peguei o jornal na minha garagem certa de que o caderno traria alguma matéria com uma manchete do tipo: “Biz Stone visita o Brasil e fala sobre o Twitter”. Mas eu me enganei, para a minha sorte e para a sorte dos demais leitores. O Link trouxe uma espécie de perfil do criador do Twitter, abordando sua passagem pelo Brasil, mas com foco na sua personalidade. Genial. Veja a matéria aqui.

Digo isso porque o jornal impresso – ainda mais um caderno semanal de um jornal impresso, como o Link, – não pode mais se ater à veiculação de notícias factuais. Quando os jornais em papel chegam às mãos do leitor, a notícia não é mais notícia. Eu já sabia que Biz Stone passou pelo Brasil. Vi isso na TV, na internet – no próprio Twitter! Assim como eu já sabia que Michael Jackson havia morrido na tarde do dia 25 de junho, cuja notícia foi veiculada praticamente em tempo real, quando recebi o jornal impresso do dia seguinte com a manchete estampada: “Morre Michael Jackson”. Poxa, gente! Isso já não era mais a notícia. É preciso pensar em algo diferente do factual.

A matéria do caderno Link de hoje, na contramão do exemplo da cobertura da morte do Michael Jackson, mostra que jornais online e impressos devem trabalhar juntos: o primeiro com o factual e o segundo com um texto mais profundo e caprichado. Esse é o único jeito do jornal em papel sobreviver antes que os leitores desistam dele.

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Ciência: quão nova a novidade é?

Publicado por sabine righetti em 25/09/2009

Eu sempre digo que o jornalista de ciência precisa conhecer os meandros do mundo acadêmico, o funcionando da coisa, os métodos de avaliação da atividade científica, a política envolvida. Caso contrário, vira massa manipulável. Digo isso porque outro dia me perguntaram: como saber se uma pesquisa é nova mesmo ou se já existe muita coisa parecida sendo feita por aí? Ou seja: se um cientista liga para um jornalista dizendo que tem uma grande novidade, como o coitado do jornalista faz para saber quão nova a novidade é? Simples: é preciso conhecer a prática científica e investigar.

Em primeiro lugar, novidade que é novidade na ciência é sempre publicada primeiro em artigo científico, em uma revista indexada, avaliada pelos pares (outros cientistas). Só depois de publicada, é que a novidade se torna, como o próprio nome diz, “pública”, e aí pode ir para a imprensa. Se um cientista ligar para você dizendo que a grande novidade dele está no prelo (em avaliação pela revista científica) duvide. Pode ser rolo!

Vale apurar também quando ouvir termos do tipo “sou o primeiro cientista a estudar tal coisa”, “somos o primeiro grupo a desenvolver isso no Brasil”. Uma boa dica é consultar, in off, e como quem não quer nada, outro grupo de cientistas da mesma área. Normalmente o que se escuta é: “tal coisa é estudada no Brasil faz tempo, desde o fulano de tal”. Aí, você pondera a afirmação bombástica com tom de inovação que iria colocar no seu texto.

Cuidado com o que não tiver provas! Uma vez fiz uma matéria sobre uma técnica desenvolvida numa empresa e um pesquisador de uma universidade me ligou dizendo que o gerente daquela empresa roubou a ideia dele. Não se meta na confusão! Como saber quem está falando a verdade? Para a comunidade científica, o “dono” da ideia é quem lançou primeiro a inovação – nesse caso, a empresa. Na dúvida, deixe a pauta de lado.

Importante: não acredite na neutralidade da ciência! Não veja a ciência como uma luz no escuro, parafraseando Carl Sagan. A atividade científica, como outra qualquer, é feita de interesses pessoais e financeiros, egos, instintos, ambições. O cientista não é Deus e, na maioria das vezes, não é um gênio: é apenas um ser humano interessado numa questão que lhe intriga. Não acredite que tudo que um cientista te diz é verdade e que ele é dotado apenas de boas intenções…

Finalizo com uma frase genial que ouvi recentemente: toda ciência é temporária. Por isso, uma grande descoberta hoje pode ser desmoronada por uma nova grande descoberta amanhã. Saiba que você está escrevendo sobre algo que muda tão rápido quanto possível – e muda tanto que pode gerar novos ciclos de compreensão das coisas e do mundo (a “revolução científica” de Thomas Kuhn). Saiba interpretar quando está diante de uma verdadeira revolução.

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Radiação eletromagnética pode?

Publicado por sabine righetti em 11/09/2009

Hoje conheci pelo Twitter uma relação do Enviromental Working Group que apresenta o nível de radiação eletromagnética de todos os aparelhos de telefone celular da atualidade (veja aqui). A lista é encabeçada pelo Samsung Impression, que tem o menor índice de emissão. O maior fica por conta do Kyocera Jax, aparelho que desconheço. Os smartfones, como o meu blackberry, estão entre os que mais emitem radiação – e entre os mais consumidos do mundo. 

A radioatividade dois celulares é assunto bem desconhecido no Brasil. Percebi isso com mais ênfase quando participei recentemente de uma pesquisa internacional, comandada por pesquisadores alemães, com o objetivo de avaliar a percepção das pessoas quanto à radioatividade de seus aparelhos. O resultado foi que no Brasil a grande maioria das pessoas desconhece o nível de radiação do seu telefone móvel, enquanto alguns países da Europa vendem mais ou menos celulares de acordo com esse índice – consultado pelos consumidores tanto quanto, por exemplo, o consumo de bateria.

O que quero dizer com tudo isso? Simples: isso é uma pauta. Trata-se de um tema desconhecido, que envolve tecnologia, saúde pública, comportamento. Quem não gostaria de ler uma matéria sobre um assunto que está na palma da sua mão ou ao lado da sua orelha? E, afinal, que riscos trazem os altos índices de radioatividade?

O assunto, por si só, é atual e relevante. Quem sabe pesquisando sobre o assunto o repórter não se depara com um super personagem, com uma boa história, com uma pesquisa inédita, com uma inovação tecnológica de uma empresa de telefonia que está criando produtos menos radioativos. As pautas cotidianas estão por aí, no meio de conversas, perdidas no twitter, mesmo que essa listagem de índices de radioatividade não tenha sido lançada ontem ou hoje. Basta procurar com olhar de quem quer enxergar uma pauta.

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Internet: discussão no Brasil, manifesto na Alemanha.

Publicado por sabine righetti em 10/09/2009

No meio de um debate instalado sobre a reforma política no Brasil que, entre outros assuntos de suma importância, discute a liberdade de uso da internet por candidatos, eis que jornalistas e blogueiros alemães divulgaram o “Manifesto Internet”. Trata-se de um documento composto por 17 pontos que basicamente afirmam e reafirmam que a liberdade na internet é inviolável. Leia aqui

O Manifesto Internet reforça a idéia de internet como ferramenta de estímulo ao exercício da democracia – algo que já venho pregando há tempos quando me perguntam o que penso sobre os potenciais sociais da rede. A discussão sobre o assunto é global.

Para exemplificar o exercício da democracia, basta ver a discussão que tivemos hoje no Twitter sobre a reforma política brasileira. Teve artista sugerindo um block geral aos senadores que votassem contra o texto-base da reforma (que dá liberdade total aos candidatos na internet – leia mais aqui), jornalista que espalhou aos sete ventos a cobertura da discussão da reforma no Senado e gente de todos os lados que opinou. Uma verdadeira troca de informações e reflexões. 

E o pessoal do Twitter está mais do que certo. Como afirma o Manifesto dos alemães, a internet é um novo palco para o discurso político – o mesmo que disse hoje o senador Aloizio Mercadante (PT) ao G1: “Na democracia, a internet é como a praça”. Não dá para proibir. Só é preciso agora incluir mais e mais gente na rede, pois no Brasil 70% da população ainda está de fora.

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