Na semana passada, eu critiquei uma matéria do Estadão sobre a nova Lei de Adoção que só trouxe aspas do relator da mesma. Sem um contraponto, a matéria, que teve um espaço enorme no jornal, resumiu-se a apresentar o texto da lei e falar bem dela (leia aqui meu post). Cmo o assunto me interessa, fiz uma busca na internet para ver o que mais saiu sobre a nova lei. Também assisti aos noticiários e ouvi alguns comentários nas rádios.
A partir da minha pesquisa “empírica”, resolvi trazer abaixo um exemplo de abordagem da nova Lei de Adoção para cada meio de comunicação:
TV- repórter comentou a nova lei e, como é bem característico da TV, trouxe uma “família-personagem” para ilustrá-la. Tratava-se de uma mulher com 17 filhos adotados (o que dá boas imagens!) que criticou o fato da nova lei proibir a separação de irmãos na adotação.
Rádio – âncora do programa comentou a aprovação da lei e trouxe uma entrevista ao vivo com um especialista no assunto (do ponto de vista jurídico). Ele criticou alguns pontos e elogiou outros.
Veículo online – texto curto e rápido sobre a aprovação da nova lei, publicado no dia de sua aprovação, sem fontes e nem entrevistados.
Revista semanal impressa – texto longo sobre a nova lei, com “famílias-personagens”, como na TV, e a opinião de especialistas, como na Rádio.
Jornal diário impresso (no caso, o Estadão, cuja matéria em comentei anteriormente) – texto longo sobre a lei, publicado um dia depois de sua aprovação, com a opinião do relator da mesma.
Diante dessa breve análise (nada científica e com uma amostra confessavelmente questionável), deparei-me com uma questão: no caso dos quatro primeiros meios de comunicação – TV, Rádio, Online e Revista – eu já tinha uma idéia prévia de quais seriam as fontes da matéria – e essa idéia se confirmou. Esses meios de comunicação (incluindo internet, que é o caçula da família) já têm um padrão bastante conhecido de modo que mesmo antes de ver as matérias jornalísticas eu já sabia o que me aguardava: um personagem na TV, um especialistas na Rádio, ninguém no Online e uma análise com mais fontes da Revista.
Mas… e o Jornal impresso?
Eu já falei sobre isso e insisto: a função do Jornal impresso cumprida até meados da década passada – de texto imediatista escrito – foi substituída com sucesso (de público, mas não de publicidade) pela internet. E agora? A que cabe o Jornal? Trazer um texto mais profundo (como a revista), mais conciso (como a internet) ou um meio-termo meio capenga – como aconteceu no caso da matéria do Estadão sobre a Lei de Adoção? O Jornal impresso está sem função, sem padrão e, por isso, tem patinado tanto. Cabe a nós, jornalistas, aceitar que esse problema existe e tentar resolvê-lo.