Mídia e mais

um blog da jornalista Sabine Righetti

Arquivo da categoria ‘Mídia publicitária’

A publicidade que compara pêra com abacaxi.

Publicado por sabine righetti em 03/09/2009

canadaFico chocada com o que os publicitários fazem para conseguir dizer o que eles querem dizer. Hoje, por exemplo, ouvi na rádio uma propaganda de uma empresa de tecnologia que dizia: “Você sabia que o Brasil tem mais usuários de internet do que toda a população do Canadá? Por isso, sua empresa precisa estar conectada!” Eu concordo que as empresas precisam estar conectadas, terem site, twitter, blog e essas coisas. Mas usar o argumento “Canadá” é furadíssimo!

O Canadá é um dos países menos povoados do mundo - tem, em média, menos de 1 habitante por km2 (por causa das enormes áreas frias e inóspitas do país) – e, consequentemente, é também pouco populoso. E o Brasil, que é extremamente populoso, tem uma enorme exclusão digital (apenas 30% das pessoas têm acesso à internet). Ou seja, é claro que, em números, os 30% dos brasileiros que têm internet serão mais do que a população total do Canadá. Mas isso não significa NADA!

Pior que isso, só as propagandas de cosméticos, que usam termos científicos para dar credibilidade ao que dizem. Já escrevi sobre isso (leia aqui). E pobre de nós, consumidores, que ficamos à mercê de informações que, muitas vezes, estão completamente distorcidas.

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O padrão (e a falta dele) em cada meio de comunicação.

Publicado por sabine righetti em 21/07/2009

bancaNa semana passada, eu critiquei uma matéria do Estadão sobre a nova Lei de Adoção que só trouxe aspas do relator da mesma. Sem um contraponto, a matéria, que teve um espaço enorme no jornal, resumiu-se a apresentar o texto da lei e falar bem dela (leia aqui meu post). Cmo o assunto me interessa, fiz uma busca na internet para ver o que mais saiu sobre a nova lei. Também assisti aos noticiários e ouvi alguns comentários nas rádios.

A partir da minha pesquisa “empírica”, resolvi trazer abaixo um exemplo de abordagem da nova Lei de Adoção para cada meio de comunicação:

TV- repórter comentou a nova lei e, como é bem característico da TV, trouxe uma “família-personagem” para ilustrá-la. Tratava-se de uma mulher com 17 filhos adotados (o que dá boas imagens!) que criticou o fato da nova lei proibir a separação de irmãos na adotação.

Rádio – âncora do programa comentou a aprovação da lei e trouxe uma entrevista ao vivo com um especialista no assunto (do ponto de vista jurídico). Ele criticou alguns pontos e elogiou outros.

Veículo online – texto curto e rápido sobre a aprovação da nova lei, publicado no dia de sua aprovação, sem fontes e nem entrevistados. 

Revista semanal impressa – texto longo sobre a nova lei, com “famílias-personagens”, como na TV, e a opinião de especialistas, como na Rádio.

Jornal diário impresso (no caso, o Estadão, cuja matéria em comentei anteriormente) – texto longo sobre a lei, publicado um dia depois de sua aprovação, com a opinião do relator da mesma.

Diante dessa breve análise (nada científica e com uma amostra confessavelmente questionável), deparei-me com uma questão: no caso dos quatro primeiros meios de comunicação – TV, Rádio, Online e Revista – eu já tinha uma idéia prévia de quais seriam as fontes da matéria – e essa idéia se confirmou. Esses meios de comunicação (incluindo internet, que é o caçula da família) já têm um padrão bastante conhecido de modo que mesmo antes de ver as matérias jornalísticas eu já sabia o que me aguardava: um personagem na TV, um especialistas na Rádio, ninguém no Online e uma análise com mais fontes da Revista.

Mas… e o Jornal impresso? 

Eu já falei sobre isso e insisto: a função do Jornal impresso cumprida até meados da década passada – de texto imediatista escrito – foi substituída com sucesso (de público, mas não de publicidade) pela internet. E agora? A que cabe o Jornal? Trazer um texto mais profundo (como a revista), mais conciso (como a internet) ou um meio-termo meio capenga – como aconteceu no caso da matéria do Estadão sobre a Lei de Adoção? O Jornal impresso está sem função, sem padrão e, por isso, tem patinado tanto. Cabe a nós, jornalistas, aceitar que esse problema existe e tentar resolvê-lo.

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Michael Jackson. É claro.

Publicado por sabine righetti em 26/06/2009

michael_jackson_É claro que hoje eu não poderia deixar de falar da morte de Michael Jackson – ainda mais sendo eu uma ex-pseudobailarina, daquelas que ficavam coladas na TV babando nos passos dele. Michael fez muito parte da minha infância/adolescência! Mas, sobretudo, considerando o tema do meu blog, tenho que falar de Michael por causa da repercussão incrível que sua morte teve na mídia.

Os principais jornais do país trouxeram o assunto em destaque na primeira página e deram, internamente, uma média de duas páginas inteiras com o factual da morte, artigos de especialistas falando sobre ele, episódios marcantes da vida do astro, fotos, cronologias etc. Tudo bem que o fato dele ter morrido à tarde e não à noite, por exemplo, “facilitou” a vida dos jornalistas e a preparação dos dossiês sobre o astro (credo, parece cruel essa afirmação! Mas quero dizer que as redações tiveram um tempo para se articularem e prepararem uma boa edição para o dia seguinte).

Não vou criticar o enorme espaço que a morte de Michael teve na mídia, por mais criticável que seja sempre a escolha de prioridades noticiosas dos jornais. Mas um astro pop que teve o disco mais vendido de toda a história – Thriller, 120 milhões de cópias – merece esse espaço. Ele influenciou a mídia, a moda, a indústria, o cinema. Querem ver? Tomem um exemplo que ilustra a enorme influência de Michael: Wedding Thriller Dance (são 3 minutos, vale muito a pena assistir!)

Michael também é um exemplo real do que a loucura da estética ou, pior, a loucura do preconceito racial podem fazer com uma pessoa. Ele fez bizarrices para parecer branco, cada vez mais branco. Até o ponto que ele próprio não se reconhecia mais. Isso é bem triste.

Enfim, é uma pena que tanto espaço de Michael na mídia não foi para anunciar sua nova turnê ou um show programado para o Brasil. Perdi o Dangerous Tour Brasil de 1993 (tinha 12 anos, meus pais não me deixaram ir) e ontem, com sua morte, perdi para sempre a oportunidade de vê-lo na sua performance única, eterna, polêmica e incompreensível.

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Mulheres na imprensa.

Publicado por sabine righetti em 10/03/2009

Ontem fui à premiação da quinta edição do ‘Troféu Imprensa Mulher’ e o que vi foram jornalistas bem sucedidas, devidamente reconhecidas, que dedicaram o prêmio recebido a todas as mulheres que já sofreram assédio ou abuso no jornalismo ou fora dele. Um grupo de mulheres completamente conscientes.

Miriam Leitão (do O Globo), que venceu na categoria “Colunista de jornalismo impresso”, chegou a dedicar, por meio de uma mensagem, o prêmio à menina nordestina que foi estuprada pelo padastro e engravidou de gêmeos (e cuja mãe e médicos que fizeram aborto foram excomungados – mas o padastro, não. Estupro não é homicídio por isso não merece a excomungação, diz o código canônico. Mas eu digo que é homicídio sim: um homicídio espiritual que não tem volta. E só não é devidamente punido pelas leis católicas porque não há mulheres no alto comando do Vaticano!)

Mas, enfim, voltando à premiação de ontem, Alice Maria, da Globo News, destacou que quando começou na redação quase não havia mulheres no jornalismo (e em nenhuma outra área!) Alguns anos depois, em 1996, quem criou a GloboNews foram nada mais, nada menos do que quatro mulheres, incluindo ela própria.

Mas discurso que mais gostei foi de uma das premiadas (não me lembro o nome!) que disse que é casada com o jornalismo há 15 anos e vive um casamento de muito amor. O meu casamento com o jornalismo já dura seis anos. E ainda vivo numa completa lua-de-mel…

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Procura-se mulheres sozinhas à mesa.

Publicado por sabine righetti em 03/03/2009

Essa discussão não tem a ver diretamente com mídia ou cobertura midiática, mas resolvi registrar a minha opinião. Ontem fui à abertura da Restaurant Week São Paulo e me deparei com algo que venho comentando há muito tempo: não há mulheres sozinhas, de meia-idade, à noite, nos restaurantes de São Paulo. Ontem, por exemplo, no restaurante em que eu estava, vi vários homens de meia-idade em mesas isoladas, mas nenhuma mulher sozinha. E esse fenômeno sempre se repete.

Ao levantar a discussão, um os argumentos que ouvi foi que as mulheres sozinhas são mais carentes e que, por isso, não gostam de mostrar que estão sozinhas. Mas discordo. Essa situação é socialmente construída. Socialmente, não aceitamos uma mulher mais velha solteira (sozinha) e a chamamos de “encalhada”. Por isso, ela envergonha-se e não se expõe. Já o homem mais velho, sozinho, é o “solteirão” – adjetivo usado como uma espécie de elogio. É a perpetuação das ideias machistas…

Mas, enfim… A Restaurant Week é uma ideia muito boa.

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