sabine righetti

Blog de uma jornalista que não se cansa de escrever.

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Feliz 2010 na África do Sul!

Publicado por sabine righetti em 19/01/2010

Os leitores do meu blog – poucos, porém queridíssimos, – devem ter estranhado meu sumiço no final do ano passado. Isso foi resultado de muito trabalho e de uma viagem para a Africa do Sul com o objetivo de fazer algumas imersões: pela história recente daquele país, pela cultura islâmica (alvo dos meus estudos na área de direitos humanos) e, também, pela língua inglesa (viajar é sempre o melhor jeito de treinar um idioma).

A viagem foi incrível e rendeu muitas histórias, vídeos e fotos. Algumas posto aqui. Vale destacar que não foi uma viagem típica de turismo, não fiquei em hoteis e nem fiz safáris caros. Quis, apenas, mergulhar profundamente na África do Sul e, inclusive, fiquei hospedada na casa de africanos.

Bom, apesar deste blog ser sobre mídia, reproduzo aqui cinco textos que escrevi para o blog de viagens – SPOTRAVEL – de um amigo jornalista. Espero que gostem. E, em 2010, continuaremos juntos analisando a mídia! Até mais!

Entenda o Apartheid em 3 cidades da Africa do Sul

Cidade do Cabo: vale uma viagem inteira

Comida africana: o desafio

Durban, a Índia africana

Johanesburgo ou Pretória?

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Ciência: quão nova a novidade é?

Publicado por sabine righetti em 25/09/2009

Eu sempre digo que o jornalista de ciência precisa conhecer os meandros do mundo acadêmico, o funcionando da coisa, os métodos de avaliação da atividade científica, a política envolvida. Caso contrário, vira massa manipulável. Digo isso porque outro dia me perguntaram: como saber se uma pesquisa é nova mesmo ou se já existe muita coisa parecida sendo feita por aí? Ou seja: se um cientista liga para um jornalista dizendo que tem uma grande novidade, como o coitado do jornalista faz para saber quão nova a novidade é? Simples: é preciso conhecer a prática científica e investigar.

Em primeiro lugar, novidade que é novidade na ciência é sempre publicada primeiro em artigo científico, em uma revista indexada, avaliada pelos pares (outros cientistas). Só depois de publicada, é que a novidade se torna, como o próprio nome diz, “pública”, e aí pode ir para a imprensa. Se um cientista ligar para você dizendo que a grande novidade dele está no prelo (em avaliação pela revista científica) duvide. Pode ser rolo!

Vale apurar também quando ouvir termos do tipo “sou o primeiro cientista a estudar tal coisa”, “somos o primeiro grupo a desenvolver isso no Brasil”. Uma boa dica é consultar, in off, e como quem não quer nada, outro grupo de cientistas da mesma área. Normalmente o que se escuta é: “tal coisa é estudada no Brasil faz tempo, desde o fulano de tal”. Aí, você pondera a afirmação bombástica com tom de inovação que iria colocar no seu texto.

Cuidado com o que não tiver provas! Uma vez fiz uma matéria sobre uma técnica desenvolvida numa empresa e um pesquisador de uma universidade me ligou dizendo que o gerente daquela empresa roubou a ideia dele. Não se meta na confusão! Como saber quem está falando a verdade? Para a comunidade científica, o “dono” da ideia é quem lançou primeiro a inovação – nesse caso, a empresa. Na dúvida, deixe a pauta de lado.

Importante: não acredite na neutralidade da ciência! Não veja a ciência como uma luz no escuro, parafraseando Carl Sagan. A atividade científica, como outra qualquer, é feita de interesses pessoais e financeiros, egos, instintos, ambições. O cientista não é Deus e, na maioria das vezes, não é um gênio: é apenas um ser humano interessado numa questão que lhe intriga. Não acredite que tudo que um cientista te diz é verdade e que ele é dotado apenas de boas intenções…

Finalizo com uma frase genial que ouvi recentemente: toda ciência é temporária. Por isso, uma grande descoberta hoje pode ser desmoronada por uma nova grande descoberta amanhã. Saiba que você está escrevendo sobre algo que muda tão rápido quanto possível – e muda tanto que pode gerar novos ciclos de compreensão das coisas e do mundo (a “revolução científica” de Thomas Kuhn). Saiba interpretar quando está diante de uma verdadeira revolução.

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CQC e política, a combinação perfeita.

Publicado por sabine righetti em 11/08/2009

Há alguns meses Marcelo Taz disse à Revista Imprensa, numa matéria de capa sobre sua mais nova sacada na Band, que o CQC é um “programa sobre política”. Cada vez mais eu concordo com a frase. Entre um e outro assunto, celebridades e futebol, as matérias do CQC são focadas em assuntos políticos relevantes: crise no Senado, desconhecimento de assuntos gerais por parte das autoridades, descumprimento de promessas de campanha, viagens do presidente e visitas de outros presidentes ao Brasil etc. E o tom de humor não é e nem precisa ser forçado, pois na maioria das vezes a própria postura dos políticos é passível de risos. 

Ontem, por exemplo, o programa de Taz escrachou a crise do Senado. Teve de tudo: Sarney fugindo da reportagem, Collor defendendo do Sarney com cara de louco (juro, fiquei com medo do olhar do Collor), senador do PMDB dizendo que a ditadura à imprensa no Brasil imposta pelo Sarney nem é tão séria pois “no Irã é pior” (sic), Suplicy que pegou o microfone e começou a cantar (!), briga de Renan com Tasso no Senado (sob o olhar atento do Sarney) etc.  

Como disse outro dia Miriam Leitão na CBN: o Brasil poderia estar discutindo a redução do aquecimento global ou como vencer a crise econômica, mas perde todo seu tempo e energia com brigas internas no Senado. Foi exatamente isso que o CQC trouxe ontem: o desgaste político na esfera federal.

Minha única esperança é que temos eleição no ano que vem – incluindo para senadores. E mesmo com tudo terminando em pizza agora, com a permanência de Sarney no cargo, descobriremos nas eleições de 2010 se os brasileiros aprenderam a lição. Se o Sarney se reeleger eu pego meu banquinho e saio de mansinho. E o último que sair, apague a luz.

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E a Coréia do Norte ainda existe.

Publicado por sabine righetti em 04/08/2009

prisonExistem coisas que são simplesmente inadmissíveis, por maior que seja a tolerância multi-culturalista de uma pessoa. Outro dia perdi o sono quando vi a imagem de uma adolescente sendo chicoteada por um talebã porque saiu de casa desacompanhada de um homem – lembrando que “sair de casa” pode significar ir comprar pão e o “desacompanhada” pode ser porque a família da garota simplesmente não tenha mais homens – a maioria dos homens desses países morre nas guerras.

Hoje vou perder o sono de novo com a história das jornalistas americanas que estavam na Coréia do Norte. As jornalistas, que são descendentes de orientais e têm pouco mais de 30 anos, foram à Coréia do Norte no ano passado para fazer uma série de matérias para a TV americana Current TV, que tem Al Gore como um dos fundadores. Sabendo que é proibido entrar imprensa na Coréia do Norte (ainda mais imprensa americana), elas resolveram ir para a China e, de lá, e passaram ilegalmente para o território norte-coreano.

Descobertas, foram julgadas e, em junho do ano passado, condenadas a 12 anos de trabalhos forçados. Atente a isso! Não sei o que é mais absurdo: prender um jornalista a trabalho ou condenar alguém a fazer “trabalho forçado”. Bom, precisou o Bill Clinton, ex presidente dos EUA, aterrissar em solo norte-coreano para que as duas fossem libertadas.

Imagine quantos jornalistas ainda estão perdidos no mundo, em países ditatoriais como a Coréia do Norte, por estarem, simplesmente, fazendo o seu trabalho. Isso me tira o sono. Qualquer mordaça a jornalistas me tira o sono. E a simples existência de um país com as regras da Coréia do Norte, em pleno Século XXI, me tira o sono.

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O padrão (e a falta dele) em cada meio de comunicação.

Publicado por sabine righetti em 21/07/2009

bancaNa semana passada, eu critiquei uma matéria do Estadão sobre a nova Lei de Adoção que só trouxe aspas do relator da mesma. Sem um contraponto, a matéria, que teve um espaço enorme no jornal, resumiu-se a apresentar o texto da lei e falar bem dela (leia aqui meu post). Cmo o assunto me interessa, fiz uma busca na internet para ver o que mais saiu sobre a nova lei. Também assisti aos noticiários e ouvi alguns comentários nas rádios.

A partir da minha pesquisa “empírica”, resolvi trazer abaixo um exemplo de abordagem da nova Lei de Adoção para cada meio de comunicação:

TV- repórter comentou a nova lei e, como é bem característico da TV, trouxe uma “família-personagem” para ilustrá-la. Tratava-se de uma mulher com 17 filhos adotados (o que dá boas imagens!) que criticou o fato da nova lei proibir a separação de irmãos na adotação.

Rádio – âncora do programa comentou a aprovação da lei e trouxe uma entrevista ao vivo com um especialista no assunto (do ponto de vista jurídico). Ele criticou alguns pontos e elogiou outros.

Veículo online – texto curto e rápido sobre a aprovação da nova lei, publicado no dia de sua aprovação, sem fontes e nem entrevistados. 

Revista semanal impressa – texto longo sobre a nova lei, com “famílias-personagens”, como na TV, e a opinião de especialistas, como na Rádio.

Jornal diário impresso (no caso, o Estadão, cuja matéria em comentei anteriormente) – texto longo sobre a lei, publicado um dia depois de sua aprovação, com a opinião do relator da mesma.

Diante dessa breve análise (nada científica e com uma amostra confessavelmente questionável), deparei-me com uma questão: no caso dos quatro primeiros meios de comunicação – TV, Rádio, Online e Revista – eu já tinha uma idéia prévia de quais seriam as fontes da matéria – e essa idéia se confirmou. Esses meios de comunicação (incluindo internet, que é o caçula da família) já têm um padrão bastante conhecido de modo que mesmo antes de ver as matérias jornalísticas eu já sabia o que me aguardava: um personagem na TV, um especialistas na Rádio, ninguém no Online e uma análise com mais fontes da Revista.

Mas… e o Jornal impresso? 

Eu já falei sobre isso e insisto: a função do Jornal impresso cumprida até meados da década passada – de texto imediatista escrito – foi substituída com sucesso (de público, mas não de publicidade) pela internet. E agora? A que cabe o Jornal? Trazer um texto mais profundo (como a revista), mais conciso (como a internet) ou um meio-termo meio capenga – como aconteceu no caso da matéria do Estadão sobre a Lei de Adoção? O Jornal impresso está sem função, sem padrão e, por isso, tem patinado tanto. Cabe a nós, jornalistas, aceitar que esse problema existe e tentar resolvê-lo.

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